‘Que comecem os jogos!’ Corrida presidencial no Brasil 2022

"A grande maioria dos eleitores clamam por uma mudança ao atual governo e computam 72%, não concordando com uma possível reeleição."
Por Rafaella Santana
Sep 4, 2022

Jair Bolsonaro (PL) é conhecido por se conectar diretamente com o seu público em “lives” nas suas redes sociais, evitando um debate mais aprofundado sobre as suas propostas para a reeleição.

O candidato tem o histórico de se esquivar de debates desde o ano de 2018, tem medo de perder parcela de seu eleitorado. É através de suas declarações que vai de misoginia, ataques à democracia, racismo, lgbtfobia e divulgação de Fake News que ele conquistou: grupos de empresários, da extrema-direita, de anti-petistas e de fascistas que clamam por uma “volta da ditadura militar” e ainda subestimam a segurança da Urna Eletrônica.

É nítido que o atual presidente teme um confronto direto com seus opositores e surpreendeu o seu eleitorado ao divulgar que iria participar de sabatinas e debates. A sabatina promovida pelo Jornal Nacional na Globo, teve a presença dos candidatos com números expressivos no Data Folha, para que tivessem a oportunidade, pela primeira vez, de explicarem as suas intenções para todo o país. Os convidados foram: Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB). 

Seu maior adversário, o ex-presidente Lula está liderando as pesquisas em relação às intenções de voto para Presidente, e se encontra na frente do atual presidente com 45% segundo o Instituto Data Folha do dia 1° de setembro, Jair Messias Bolsonaro se manteve nos 32% enquanto, Ciro sobe 2 pontos com 9% e Simone Tebet cresceu mais 3 pontos nos últimos dias pontuando 5%.

A grande maioria dos eleitores clamam por uma mudança ao atual governo e computam 72%, não concordando com uma possível reeleição.

No debate promovido pelo canal Band, do último domingo (29/08), teve a presença dos candidatos: Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe D’Ávila (Novo). É válido ressaltar que os candidatos Vera Lúcia (PSTU) e Leonardo Péricles (Unidade Popular) ficaram de fora, gerando manifestações de movimentos sociais na porta da Bandeirantes.

CNN Brasil

Essa exclusão e censura levanta questões sobre a falta de espaço de representantes negros na discussão acerca de pilares importantes como Política, Educação, Economia, Cultura e Saúde, essa minoria em termos de representação, e contabilizam 54% da população brasileira.

Para a infelicidade do brasileiro os candidatos se preocupavam mais em se atacarem ao invés de trazer propostas para o país, que enfrenta um cenário fragilizado, tanto pela pandemia quanto pela falha da atual administração do governo e de seus apoiadores. O debate trouxe uma frustração para grande expectativa da audiência. Contudo, Simone Tebet, obteve mais desempenho dentre os candidatos em relação aos indecisos. É importante pontuar que, parcela dos indecisos ainda se encontram em maior número e chamam a atenção dos candidatos estagnados na pesquisa. 

Tebet apresentou argumentos de forma mais convincente e vem conquistando popularidade sendo a mais procurada após o debate.

A representante do MDB foi evitada pelo representante do PL, que na mesma noite se referiu a jornalista Vera Magalhães de maneira misógina, desrespeitando o trabalho e colocando em risco o profissionalismo da jornalista. Até a Soraya Thronicke (União Brasil), sua ex-apoiadora pediu proteção após confrontar o candidato diversas vezes, levando em consideração os episódios de violência política por parte dos apoiadores de Bolsonaro. 

Com a repercussão negativa de sua participação na Bandeirantes, Bolsonaro recebeu como resposta uma série de manifestações por parte de jornalistas brasileiros, que levantaram hashtag no Twitter pedindo respeito às jornalistas mulheres, prestando solidariedade à jornalista da TV Cultura.

De acordo com o Data Folha, o atual presidente, ao contrário de Tebet, obteve o pior desempenho.

Jair Bolsonaro teme perder mais seu eleitorado após fracasso no debate, cancelando e reagendando para outro dia a sua participação na Jovem Pan, onde seus eleitores são público alvo do programa. Ao mudar de estratégia, ele opta novamente por fugir de confrontos diretos que demandam capacidade de argumentação, evita a oposição e o aprofundamento dos temas. Dessa forma, confirma o seu despreparo e incompetência, além da notícia da compra sistemática de imóveis com dinheiro vivo divulgada na última semana, esquema utilizado para ocultar a procedência e  origem do dinheiro.


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Rafaella Santana

Rafaella Santana

Estudante de Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais e bolsista de Iniciação científica. Adoro escrever, ler livros, desenhar, ouvir música e ver filmes quando fico em casa.
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